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Propósito, o sentido de tudo


Por Vanessa Weber Leite e Vitor Seravalli


Em tempos estranhos e difíceis como estes que estamos vivendo, somos todos convocados a uma espécie de reinvenção de nós mesmos, para que possamos vencer os desafios e sobrevivermos com integridade. Como diz aquele velho jargão: “é a forma de lidar com as situações durante as crises da vida que nos faz conhecer realmente uma pessoa em sua essência, e reconhecer o seu verdadeiro propósito”. E isso vale tanto para nós pessoas físicas, quanto para as pessoas jurídicas.

Não cabe aqui qualquer julgamento prévio sobre sucessos ou fracassos, pois cada crise tem sua peculiaridade e seu grau de dificuldade, mas o fato é que aqueles com maior capacidade de adaptação às mudanças impostas, os que são mais disruptivos e inovadores, e com forte senso de propósito demonstram maior resiliência para esses momentos de crise e talvez também se saiam bem nesse novo momento de mundo que alguns chamam de “novo normal”.

Se toda crise antecipa tendências em curso, já é uma realidade no “novo normal” que o desenvolvimento sustentável com metas governamentais e organizacionais relacionadas a neutralização de carbono na atmosfera, melhoria na saúde e bem-estar, valorização da diversidade, entre outros temas, pautem a retomada pós-pandemia impulsionando inovações em processos, produtos, serviços e na gestão organizacional e na sociedade global. Certamente não para todas as organizações, não para todos os governos, mas uma grande oportunidade para as pessoas, governos e organizações que possuem em sua essência, o propósito de aumentar impactos positivos, eliminar os impactos negativos para de fato cooperar para o alcance de uma sociedade mais justa, inclusiva e regenerativa.

Muitas mudanças ocorreram nos últimos meses, todos sabem disso, e para profissionais atuantes há mais de 20 anos na área de sustentabilidade como nós, essa mudança se materializa como oportunidade real de ver a sustentabilidade, como um tema estratégico nas organizações. Será que desta vez a necessária mudança que os negócios precisam participar para garantir que a atual e as futuras gerações tenham suas necessidades sociais e ambientais garantidas, como prega o conceito de sustentabilidade de Brundtland (1987) vai ocorrer? Será que a convocação da ONU de 2020 para década da ação para o cumprimento da Agenda 2030, os ODS será realmente uma prioridade para as organizações produtivas, sociedade civil e governos mundiais para juntos atingirem as 169 metas lançadas em 2015? Apostas altas, riscos necessários, tendências que podem se materializar, se acreditarmos em algumas novidades que o cenário atual nos traz.

Uma novidade neste cenário para acreditar que a mudança pode ser real, foi anunciada no final de 2018 por Larry Fink (presidente da gestora de ativos globais a Black Rock): “Para prosperar, cada companhia terá que entregar não apenas performance financeira, mas também mostrar como faz uma contribuição positiva para a sociedade”, inaugurando assim uma nova visão dos investidores mundiais alinhada ao capitalismo consciente. Uma mudança estrutural que prenunciava o reforço ao movimento hoje conhecido como ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança corporativa) que considera risco climático como risco de investimento, necessidade de maior transparência para os acionistas e capitalismo responsável e transparente como obrigatórios para continuar na carteira de clientes da organização.

Que os negócios mundiais precisam acelerar seus impactos positivos para assegurar o desenvolvimento sustentável não é novo. Vale lembrar que com a pandemia além das tendências se anteciparem, muitos problemas, velhos conhecidos da sociedade global também vieram à tona e pedem cooperação e solução de todos os atores da sociedade. A pandemia evidenciou a interdependência das dimensões econômica, social e ambiental e exacerbou a relevância das questões sociais, por exemplo da desigualdade social. Segundo o Relatório de Riqueza Global do banco Credit Suisse, em 2020 no Brasil, a população 1% mais rica concentrou 49,6% de toda a riqueza, tornando o país o 9º país mais desigual do mundo. Investidores cobrando dos conselhos de administração performance social, ambiental e de governança na gestão e estratégia já é ao nosso ver algo relevante para cooperar com a mudança necessária no “novo normal” e contribuir inclusive para soluções complexas como a desigualdade.

Infelizmente, como sempre acontece, percebemos também muitas evidências do tão conhecido “Greenwashing” em sua versão mais atual e, obviamente, mais financeira, já chamado de “ESGwashing”.

De qualquer forma, a ótima notícia é constatar que temas fundamentais como a diversidade, a preocupação com as mudanças climáticas, a importância cada vez maior do papel dos conselhos empresariais como guardiões da governança e dos valores éticos das organizações, entre outras prioridades, entraram de forma consistente na agenda empresarial na atual retomada econômica pós-pandemia.

Segundo o conceito de economia Donut de Kate Raworth, a mentalidade econômica adequada ao contexto e aos desafios do século 21 defende que é possível atender as necessidades de todos sem esgotar os recursos do planeta. Partindo dessa visão de prosperidade para todos, assessorar organizações e lideranças a ressignificar, consolidar ou criar propósitos e inovações organizacionais alinhados ao desenvolvimento sustentável é uma opção que vale a pena.

Concordamos que os sistemas na sociedade atual são complexos e interdependentes, mas acima de tudo também acreditamos que o comportamento humano pode ser estimulado para ser cooperativo e atencioso, e que as lideranças e times organizacionais podem cooperar para transformar as economias degenerativas de hoje em regenerativas se as organizações e pessoas tiverem um propósito alinhado ao desenvolvimento sustentável e criarem inovações nessa direção.

E como diz Simon Sinek, com seu conhecido Golden Circle, as empresas começam a compreender que mais importante que bons produtos e serviços ou, ótimas estratégias de Marketing e Vendas, elas necessitam saber o real motivo por que existem, e este é o seu genuíno PROPÓSITO.

Acreditamos que o Propósito claro orienta a direção da jornada!