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ESG e Engajamento com Stakeholders: Uma grande oportunidade na retomada de crescimento pós-pandemia



Por Vanessa Weber Leite


A consolidação de uma sociedade sustentável passa impreterivelmente pelo setor produtivo com a incorporação definitiva de planejamento e monitoramento dos impactos relacionados às atividades produtivas, engajamento de stakeholders e desenvolvimento de inovações socioambientais em soluções disruptivas.

As oportunidades de inovação sustentável para uma economia de baixo carbono, o movimento do consumo consciente e o novo posicionamento mundial dos gestores de ativos usando a classificação ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança corporativa) em suas abordagens de investimento, impulsionam o setor produtivo a revisar o gerenciamento de riscos e encontrar oportunidades no relacionamento com suas partes interessadas em um mundo em constante mudança.

No cenário pós-pandemia, os modelos e as teorias da administração clássica não mais respondem às demandas empresariais frente aos desafios de cunho social. A visão de Friedman (1985) para a função social das empresas, que era apenas a maximização do lucro de forma ética e dentro dos padrões legais, não consegue responder às novas e crescentes exigências sociais e tão pouco as exigências ambientais do ambiente de negócios, especialmente no cenário pós- pandemia.

No contexto pós-pandemia, países e organizações podem colaborar para a mudança de rota, por exemplo, em relação ao aquecimento global e o acordo da COP 21, o famoso “Acordo de Paris” ratificado por 191 países membros da ONU e que entrou em vigor em novembro de 2016 com o compromisso de não ultrapassar o limite de 1,5° C na temperatura global até 2030, pode ser avaliado como uma oportunidade de ação na chamada retomada verde.

Um exemplo de transformação de risco em oportunidade foi dado pela União Europeia (UE), quando criou o “Pacto Verde Europeu” em dezembro de 2019, ampliando as metas do Acordo de Paris objetivando a neutralidade climática até 2050. A UE pretende zerar o balanço das emissões de gases do efeito estufa, medidas que envolvem todos os setores da sociedade e impulsiona uma verdadeira revolução na economia, com geração de empregos rumo a uma sociedade justa e inclusiva. Uma proposta de retomada econômica que inclui as agendas ambientais e sociais no centro das decisões.

No mundo todo e no Brasil, a busca pelo ambientalmente correto é uma oportunidade para investidores e empresas focados em performance do E da sigla ESG. Já a sustentabilidade na dimensão socialmente justa, o S da sigla, guarda um desafio tão importante e complexo como a questão ambiental para alcance de uma sociedade sustentável. Questões como bem-estar humano, direitos humanos, diversidade e inclusão também são focos de riscos e oportunidades, especialmente para a gestão das empresas com suas partes interessadas, os stakeholders.

Mas por que envolver as empresas na busca de soluções para a sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável na chamada retomada verde e inclusiva? As empresas são parte do problema e da solução quando o assunto é desenvolvimento sustentável. Esse assunto não é novo, nova é abordagem relacionada à agenda de gestão de riscos e oportunidades para a gestão responsável e sustentável dos negócios na retomada de crescimento pós-pandemia.

A gestão da responsabilidade social corporativa, a expressão mais conhecida da incorporação da função social pelas organizações empresariais, deixa de ser uma opção de escolha e se transforma em uma necessidade da empresa para validação da sua “licença social para operar” e agora também para demonstrar performance aos investidores ESG.

Mas, vale lembrar que performance é resultado de estratégia e gestão. No caso da performance sustentável ou em ESG, a gestão da responsabilidade corporativa, os compromissos com a princípios de boa governança, incorporam os interesses das partes interessadas e ampliam a função social e a necessidade de gestão socioambiental dos negócios, sem perder o foco no retorno para o acionista ou dono do negócio.

Assim podemos concluir que um bom resultado, ou performance em ESG, envolve uma estratégia e um propósito claros nos negócios em relação a sustentabilidade e suas demandas, além de lideranças alinhadas que orientem uma gestão eficiente e responsável que valoriza o engajamento dos stakeholders como uma oportunidade no desafio da retomada verde, justa e inclusiva dos negócios no cenário pós-pandemia.

Claro como o verde das florestas, a união entre o atual ESG e propósito organizacional para materializar o engajamento dos stakeholders são atualmente uma grande oportunidade na retomada de crescimento pós-pandemia.