Razão e emoção

Razao e Emoção 3Por Vitor Seravalli

Como equilibrar da melhor maneira os nossos sentimentos e comportamentos, quando buscamos doses adequadas de razão e emoção?  Este talvez seja um dos grandes desafios de todos nós.

Cada pessoa traz consigo uma forma única de evidenciar esse equilíbrio, e muitas vezes o que se percebe é um grande desequilíbrio.

Minha reflexão não refletirá o tema exclusivamente nas nossas vidas pessoais, aliás nem sou capacitado para isso.

O que gostaria de focar é somente uma reflexão de minha experiência sobre a relação “razão versus emoção” em uma perspectiva profissional.

Sim, há sempre uma emoção encravada na mais genuína e pura razão, ou seria o contrário?

O fato é que ambas estão fortemente internalizadas em todos nós. A diferença está no quanto nós externalizamos de cada uma delas, ou mais claramente, o quanto as escancaramos para a vida.

Quanto mais olho para minhas vivências, vejo mais transparente o sucesso nos momentos em que deixei a emoção bem guardada em mim mesmo, e optei por meu lado mais racional.

Isto não significa que o lado direito de meu cérebro, o lado mais complexo e mais sensível, estivesse paralisado. Em todos os momentos, os meus sentidos captavam tudo, e meu sangue não ignorava a pressão, a tensão, e mesmo a dor, de tudo o que acontecia do lado de fora de mim.

Mas, a atitude mais eficaz era aquela que se evidenciava por um comportamento muito mais focado na escuta, do que nos gestos ou na fala.

Ausência de precipitação, de ansiedade, e de uma denunciadora cor rubra em minha pele, sempre aumentaram minha credibilidade e meu poder de influência nas decisões mais importantes que pude protagonizar, independentemente de meu nível hierárquico.

Isso não significa que eu não tenha chorado muitas vezes sozinho, que diferentes partes de meu corpo não tenham denunciado o efeito de um estresse exacerbado em algumas situações críticas que vivi, e nem que minha família não tenha pago um preço demasiadamente alto pelos percalços de minha vida profissional.

Mas, certamente, a vida nos ensina. E não temos direito de não aprender em cada experiência ou oportunidade. Mesmo que seja com uma dor inexplicável.

Por outro lado, uma vida profissional que não carregue um legado de emoções, não pode ser chamada de vida.

Lembro-me de cada momento, bom ou ruim. Recordo-me com saudades de meus colegas, mesmo daqueles que foram os meus mais duros rivais. Lembro-me dos meus bons chefes que nunca desistiram de me ensinar. E não me esqueço dos chefes não tão bons, cuja incompetência colocou-me em alerta.

Lembro dos ganhos, mas não me esqueço das perdas. E na mesma intensidade, vejo o brilho das lembranças de vitórias, assim como a opacidade das derrotas. Afloram lágrimas pelas despedidas, e sorrisos pelos encontros e reencontros.

Afinal, concluo que a prudência da razão convive com a temperança da emoção, num caminho de equilíbrio que poderá nos levar para a sabedoria.

Se minha vida profissional seguiu para esse rumo, então valeu!

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