A confiança

Confiança 1

Por Vitor Seravalli

Buscar a solução para problemas complexos, e enfrentar eventuais crises, são situações comuns ao cotidiano de qualquer líder. Porém, ter o privilégio de poder confiar plenamente em todos os membros de sua equipe, e mais que isso, ser merecedor da confiança dos mesmos, talvez seja a diferença fundamental entre o sucesso e o fracasso.

Em diversas situações, onde pude incorporar as experiências de minha vida até o momento, consigo ver nitidamente os momentos e situações onde a confiança esteve ou não presente. E vejo o quão fácil era prever o final de cada história.

Independentemente dos fatores que envolviam e caracterizavam cada desafio, uma coisa é certa, tudo se tornava mais nítido e cristalino quando a confiança iluminava a escuridão dos meus dilemas como uma janela de luz.

Em seu livro: “A velocidade da confiança”, Steven R. Covey fala sobre este tema com a abrangência que o mesmo merece.

Logo no início do texto, ele diz:

“A confiança influencia-nos dia e noite, 365 dias por ano. Ela nos influencia e afeta a qualidade de cada relacionamento, cada comunicação, cada projeto, cada empreendimento, cada esforço no qual estamos empenhados. Muda a qualidade de cada momento presente e altera a trajetória e o resultado de cada momento futuro de nossas vidas – seja no plano pessoal, seja no profissional.”

A confiança é a diferença entre as coisas que são mais fortes e eternas e aquelas que são breves e completamente frágeis.

Por exemplo, quando os relacionamentos são legitimamente confiáveis, eles são de alguma forma eternos, mesmo aqueles que carecem de plenitude.

Em contrapartida, quando não há confiança, os relacionamentos são frágeis em sua estrutura, e embora possam manter uma aparência de qualidade, não resistem e sucumbem, sem que nada possa fazê-los durar.

Por outro lado, um paradoxo se mantém vivo. Pois, embora resiliente e perene, a confiança é como um cristal valioso. Ela pode durar a vida inteira com todo o seu brilho e beleza, mas se em algum momento for quebrada, nunca mais será a mesma.

O que fazer então?

Acredito que a primeira atitude para poder confiar nas pessoas, é merecer a confiança delas. Aliás, esta é para mim uma premissa inegociável.

Por exemplo, se fizer algo errado, e isso é sempre possível pois somos humanos. E se o seu erro ferir alguém, faça como uma velhinha sábia uma vez me ensinou, quando eu ainda era uma criança:

_ Filho, se você fizer uma coisa errada, fique roxo por cinco minutos, mas por favor, não queira ficar amarelo pela vida inteira.

Ou seja, assuma imediatamente seu erro e as consequências dele, mesmo que isso custe caro, mas nunca fuja da verdade.

Pois assim, a vida segue. Talvez difícil, mesmo com toda a confiança do mundo, mas completamente impossível sem ela.

Você acredita em mim?

Por uma causa

Voluntário2Por Vitor Seravalli

Infelizmente, ainda não sou o voluntário que gostaria de ser.
E quando observo tantas pessoas, principalmente de algumas culturas específicas, presenteando espontaneamente o seu tempo, ou até uma parte de si mesmas, em prol de alguém ou de alguma causa, justamente nesses momentos, eu constato o longo caminho que tenho pela frente para ser uma pessoa mais plena.
Não levo isso com culpa, pois também não me considero uma pessoa assim tão insensível. Na medida do possível, em tudo o que faço, busco a plenitude simplesmente porque amo meu trabalho. E neste amor, está uma generosa dose de dedicação para ajudar as pessoas em todos os sentidos, mesmo que isso ocorra enquanto exerço a minha profissão, e não como uma doação pessoal.
Porém, com tantas necessidades neste mundo repleto de desigualdades, eu trato de desafiar constantemente a minha própria personalidade a repensar tudo aquilo que ainda não faço. E, francamente, espero mudar minha atitude o quanto antes.
Se estou falando com empresários sobre o papel dos negócios em relação à sociedade, costumo usar uma das melhores definições que conheço sobre o assunto. Ou seja, responsabilidade social empresarial nada mais é que uma forma de conduzir negócios. Aliás, uma forma muito especial. Nela, a empresa vende seus produtos e serviços, ganha participação no mercado, cresce, se desenvolve, inova, lança novas soluções para os seus clientes e consumidores, reduz custos, alcança a excelência, valoriza sua marca, e finalmente, vale mais. O diferencial está no compromisso genuíno da organização com a sua corresponsabilidade em relação ao desenvolvimento da sociedade e à preservação do planeta.
Contudo, quando penso nos cidadãos comuns, e no que eles deveriam fazer quando não estivessem com um sobrenome corporativo, aí a coisa pega.
Falei em culturas logo ao início, e não há dúvidas que algumas já possuem este dom desde sempre.
Em outras, e numa delas eu estou inserido, nem sempre há tempo ou recursos disponíveis para doar, e falta a atitude para se entregar.
De qualquer forma, não vejo isso como um defeito, e sim como uma característica cultural deveras indesejável.
Um dia desses, uma pessoa amiga disse-me que eu não deveria pensar dessa forma, pois meu trabalho, segundo ela, já trazia o valor de uma atitude voluntária. Fiquei feliz momentaneamente, até descobrir que ela mesma era uma voluntária exemplar, e simplesmente ajudava por ajudar.
No final das contas, confesso que talvez eu esteja escrevendo este texto para mim mesmo, pois acredito muito na força do exemplo e, nesse caso, não estou sendo exemplo de coisa alguma.
E o maior paradoxo é constatar que o investimento em uma ação espontânea para ajudar o próximo parece trazer mais ganhos aos que a fazem do que aos que a recebem. Isso mesmo, a sensação após qualquer intervenção é o ganho da mais pura energia positiva.
Aos incrédulos resta somente perguntar aos primeiros.
E, por fim, a recomendação é simplesmente partir para ação, e a ótima notícia é que ela não depende de ninguém, mas somente de cada um de nós.

Inscrições abertas para curso do GIFE sobre “Investimento Social e Responsabilidade Social Empresarial”

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O GIFE irá promover em São Paulo, nos dias 06 e 07 de outubro, o curso “Investimento Social e Responsabilidade Social Empresarial no Brasil”.
O curso – que terá duração de 16 horas – será ministrado por Ana Carolina Velasco, gerente de Relacionamento Institucional do GIFE, e Vitor Seravalli, membro do conselho de administração da Fundação ABRINQ, além de sócio-diretor da Seravalli Consulting.

Para mais informações, acesse:

http://gife.org.br/2015/09/28/inscricoes-abertas-para-curso-do-gife-sobre-investimento-social-e-responsabilidade-social-empresarial/

 

Resiliência

resiliência2Por Vitor Seravalli

Não foi uma surpresa quando vi pela primeira vez, num livro sobre competências comportamentais, um termo normalmente utilizado nas aulas de física para descrever uma propriedade específica dos materiais: a resiliência.

E se a competência de ser resiliente tornou-se praticamente obrigatória para todos os profissionais que atuam principalmente em funções de liderança, o motivo é óbvio. Não há como resistir aos impactos gerados pelas crises em todos os níveis nos dias de hoje sendo simplesmente competente num contexto técnico.

Mais adiante, escutei um especialista em desenvolvimento de pessoas definir resiliência em um profissional como a sua capacidade voltar a ficar de pé rapidamente após um tombo.

E como tomamos tombos corporativos nos dias de hoje, não é mesmo?

Para os despreparados, esses tombos costumam se caracterizar como grandes surpresas, mas outras vezes são como bombas-relógio, cujos ponteiros temos a possibilidade de acompanhar passivamente por muito tempo, até que a explosão ocorra.

De qualquer forma, não são todos os que conseguem prosseguir sem sequelas.

Sabendo de tudo isso, as áreas de recrutamento e seleção da maioria das organizações empresariais já utilizam sofisticados e específicos testes para avaliarem se os profissionais que se candidatam a uma eventual vaga disponível são ou não resilientes.

Contudo, os grandes exemplos somente se materializam na vida real, ou seja, quando levamos o golpe e tentamos nos levantar do chão, com a contagem já iniciada, tal qual numa luta de boxe.

Olho para minhas vivências profissionais e não tenho nenhuma dificuldade para me lembrar dos diversos tombos que tomei. E não sinto qualquer constrangimento em falar sobre isso, pois cada um deles deu-me a contrapartida do aprendizado.

Se evoluí como profissional e como líder, devo uma boa parcela disso aos momentos em que tentei me recuperar de alguma crise ou de algum impacto negativo inesperado que tenha me levado ao chão.

Após tanto tempo, constato que consegui me levantar de todos eles, mas confesso que as cicatrizes causadas por alguns ainda estão comigo. São pequenos troféus que simbolizam os desafios que se seguiram e foram vencidos um a um.

E para sair um pouco do campo abstrato de minhas reflexões, vem à minha mente uma manhã em que fui chamado à sala de meu chefe e, enquanto caminhava para lá, já sabia que o assunto não seria açucarado. Estávamos nos recuperando de um período de má performance, e uma avaliação externa mostrara que não íamos mesmo nada bem.

Quando entrei, ele já foi direto ao ponto. Eu ainda não seria demitido, mas uma de minhas principais atividades teria responsabilidade transferida para um colega de outra unidade por tempo indeterminado. Em seguida, com certa irritação, perguntou-me o que eu tinha a dizer sobre aquela decisão.

Fiquei em silêncio por alguns segundos e, da melhor forma que pude, disse que me sentia frustrado com aquela situação, pois havíamos feito o melhor possível, porém infelizmente os nossos resultados eram mesmo medíocres.

Arrumei-me na cadeira, ergui meu rosto, respirei fundo e continuei.

Por outro lado, deixei clara minha satisfação por estar em uma organização que sabia tomar decisões quando necessário, e reafirmei meu compromisso em apoiar meu colega no necessário processo de melhoria que viria a seguir.

E isso aconteceu com plenitude. Nossa equipe virou o jogo, e meses depois fomos todos reconhecidos pelo sucesso após uma nova e dura reavaliação.

Nunca mais fui o mesmo. Mas esse aprendizado iluminou ainda mais o caminho que pude percorrer nos períodos que vieram posteriormente.

E finalmente percebi a importância da resiliência, algo que somente podemos reconhecer de verdade quando, surpreendentemente, voltamos a ficar de pé.

Razão e emoção

Razao e Emoção 3Por Vitor Seravalli

Como equilibrar da melhor maneira os nossos sentimentos e comportamentos, quando buscamos doses adequadas de razão e emoção?  Este talvez seja um dos grandes desafios de todos nós.

Cada pessoa traz consigo uma forma única de evidenciar esse equilíbrio, e muitas vezes o que se percebe é um grande desequilíbrio.

Minha reflexão não refletirá o tema exclusivamente nas nossas vidas pessoais, aliás nem sou capacitado para isso.

O que gostaria de focar é somente uma reflexão de minha experiência sobre a relação “razão versus emoção” em uma perspectiva profissional.

Sim, há sempre uma emoção encravada na mais genuína e pura razão, ou seria o contrário?

O fato é que ambas estão fortemente internalizadas em todos nós. A diferença está no quanto nós externalizamos de cada uma delas, ou mais claramente, o quanto as escancaramos para a vida.

Quanto mais olho para minhas vivências, vejo mais transparente o sucesso nos momentos em que deixei a emoção bem guardada em mim mesmo, e optei por meu lado mais racional.

Isto não significa que o lado direito de meu cérebro, o lado mais complexo e mais sensível, estivesse paralisado. Em todos os momentos, os meus sentidos captavam tudo, e meu sangue não ignorava a pressão, a tensão, e mesmo a dor, de tudo o que acontecia do lado de fora de mim.

Mas, a atitude mais eficaz era aquela que se evidenciava por um comportamento muito mais focado na escuta, do que nos gestos ou na fala.

Ausência de precipitação, de ansiedade, e de uma denunciadora cor rubra em minha pele, sempre aumentaram minha credibilidade e meu poder de influência nas decisões mais importantes que pude protagonizar, independentemente de meu nível hierárquico.

Isso não significa que eu não tenha chorado muitas vezes sozinho, que diferentes partes de meu corpo não tenham denunciado o efeito de um estresse exacerbado em algumas situações críticas que vivi, e nem que minha família não tenha pago um preço demasiadamente alto pelos percalços de minha vida profissional.

Mas, certamente, a vida nos ensina. E não temos direito de não aprender em cada experiência ou oportunidade. Mesmo que seja com uma dor inexplicável.

Por outro lado, uma vida profissional que não carregue um legado de emoções, não pode ser chamada de vida.

Lembro-me de cada momento, bom ou ruim. Recordo-me com saudades de meus colegas, mesmo daqueles que foram os meus mais duros rivais. Lembro-me dos meus bons chefes que nunca desistiram de me ensinar. E não me esqueço dos chefes não tão bons, cuja incompetência colocou-me em alerta.

Lembro dos ganhos, mas não me esqueço das perdas. E na mesma intensidade, vejo o brilho das lembranças de vitórias, assim como a opacidade das derrotas. Afloram lágrimas pelas despedidas, e sorrisos pelos encontros e reencontros.

Afinal, concluo que a prudência da razão convive com a temperança da emoção, num caminho de equilíbrio que poderá nos levar para a sabedoria.

Se minha vida profissional seguiu para esse rumo, então valeu!

Preparação é tudo

Preparação 1

Por Vitor Seravalli

Apresentar um trabalho, propostas de projeto, ou mesmo uma prestação de contas para níveis mais altos da organização, são sempre eventos que necessitam de muito cuidado em sua preparação. Embora fundamentais, não estou falando somente das informações ou da apresentação em si. Refiro-me mesmo à estratégia que deve ser utilizada para convencer com bons argumentos as pessoas para as quais a intervenção será feita.

Em minha carreira tive oportunidade de acertar e errar. Ganhei e perdi. Fiz ótimas apresentações, e outras nem tanto. Mas a partir de uma delas em especial, onde buscava a aprovação de algo muito relevante para meu futuro como líder da área que estava sob minha responsabilidade, tudo mudou.

Inicialmente, eu tinha nas mãos indicadores consistentes de que a coisa não poderia continuar como estava. Porém, a mudança proposta demandaria um investimento importante, e a empresa não estava com recursos planejados isso.

De qualquer forma, juntei todos os argumentos que pude. Pesquisei muito, desenvolvi todas as alianças possíveis, caprichei no material que seria utilizado, mas algo ainda faltava, e isso deixava-me inseguro.

O time que escutaria meus argumentos, e decidiria pela aceitação ou não de minha proposta, era composto pelas cinco pessoas com maior poder na organização.

Eu teria somente quinze minutos e restava menos de uma semana para o grande dia.

Embora bem preparado, eu precisava de algo mais.

Refleti sobre o que poderia melhorar minha sensação de segurança, e depois de muito pensar, tive uma ideia óbvia, mas nova para mim àquela altura.

Entrei em contato com as assistentes de cada um dos cinco executivos, e pedi dez minutos para uma rápida consulta. Não foi fácil, mas aos trancos e barrancos, fui conduzindo conversas informais com esses líderes, e basicamente explicava todos os detalhes de minha proposta e ao final, pedia um feedback, buscava identificar as principais dúvidas, estimulava perguntas, e o que deveria ser acrescentado para aumentar as chances de aprovação da proposta.

Tudo era muito rápido, mas meu foco estava em capturar suas sugestões de melhorias.

Falei com cada um, e posteriormente, reconstruí minha apresentação.

Os argumentos, agora, eram somente respostas a todos os pontos que foram capturados nas entrevistas individuais.

O dia “D” chegou, e quando entrei na sala de reuniões, minha estratégia havia sido completamente modificada. Não fiz mais a apresentação da proposta, pois todos já a conheciam.

Comecei lembrando a eles que meu projeto já era do conhecimento de todos, e em seguida, tudo o que fiz foi apresentar encaminhamentos para cada uma das sugestões que eles fizeram durante as conversas.

Terminei, e apesar de um ou outro comentário, o grau de questionamento foi infinitamente menor que em vezes anteriores.

Saí da sala com a tão desejada aprovação, mas o principal ganho foi a descoberta de uma forma diferente de apresentar projetos.

É óbvio que não venci todas as batalhas posteriores, mas não há dúvidas, passei a dar mais trabalho aos meus interlocutores.

E se reflito sobre os motivos do sucesso dessa experiência, eles podem ser sumarizados em três itens: eu acreditei completamente naquilo que propus, eu percebi que a melhor preparação possível seria o único caminho viável, e finalmente, eu preferi escutar mais e falar menos.

Lição aprendida, não mais esquecida.

Mãos na massa

Mãos na massa 1

Por Vitor Seravalli

O batismo após minha primeira promoção a uma função de liderança não foi uma experiência que poderia ser classificada como agradável. De qualquer modo, eu não cultivava qualquer ilusão de que isso fosse mesmo possível.

O fato é que após um mês à frente de uma das fábricas mais estratégicas da unidade toda, onde eram produzidas as resinas sintéticas, estávamos com os problemas comuns daqueles que buscam com dificuldades equilibrar o desafio eterno da alta quantidade sem perda da qualidade.

A equipe era experiente, os equipamentos estavam em boas condições, mas os processos talvez não estivessem preparados para as exigências sempre tão altas de alguns clientes.

Numa tarde, fui chamado para minha primeira reunião com a área responsável por um dos negócios, cujos clientes possuíam rigorosos requisitos de qualidade. Eles eram fornecedores de embalagens para alimentos, e qualidade máxima era o mínimo que poderíamos entregar.

Humildemente, cheguei, e já senti o peso de um ataque incisivo do gerente responsável.

Foi logo perguntando se eu era o novo responsável pela porcaria que estava sendo entregue ao tal cliente.

Inexperiente e amador como líder, tentei reduzir a responsabilidade direta que caía sobre mim, e ingenuamente, me desculpei pela incapacidade de minha equipe.

Quase fui retirado da sala, e ali foi a primeira vez que senti na pele o quanto deveria aprender.

Voltei ao meu escritório pensando sobre o que eu deveria fazer para reverter a situação, e meu time de supervisores se solidarizou comigo, mas honestamente eu sabia que tínhamos um problema técnico, e nenhum de nós conhecia a causa.

Eles diziam que o produto estava completamente dentro das especificações, e isso era mesmo verdade. Mas a reclamação residia na existência de partículas muito pequenas que apareciam no lado interno das latas de alimentos, quando a resina era aplicada.

Deduzimos que o problema estava no processo de filtração.

O equipamento usado para essa operação chamava-se Filtro Sparkler, e confesso que eu não o conhecia em detalhes.

Assim, após percorrer todos os caminhos teóricos e científicos para encontrar um caminho à solução, tive um reflexo, e ele me levou a uma atitude que, em princípio, considerei inadequada para um chefe. Vesti um uniforme adequado, pus todos os equipamentos de proteção individual, e fui para a fábrica.

Quando encontrei o primeiro operador do tal filtro, pedi que ele me explicasse seu funcionamento. Obviamente, eu já havia estudado os seus conceitos de operação, mas queria ouvir a versão mais prática. O funcionário me explicou tudo da melhor forma que pode, e notei que ele não conhecia alguns pequenos detalhes. Na mudança de turno, fiz o mesmo pedido a outro operador, e então percebi que também havia também uma deficiência, e diferenças de conhecimentos entre eles. Repeti o processo mais algumas vezes, e concluí finalmente que o problema era uma falta de capacitação generalizada. Contudo, esse problema mostrou-me também uma luz nova e desconhecida, da qual nunca mais me esqueci: a oportunidade de treinar e ensinar minha própria equipe.

Voltei à minha mesa, juntei tudo o que pude em termos de documentos técnicos do equipamento, e após estudar cada item, voltei à planta, e pedi para que eu mesmo pudesse desmontar um desses filtros.

A essa altura eu já sabia como ele realmente funcionava, e na desmontagem vi que os operadores caprichavam, mas montavam as diversas partes de modo errado. Além disso, o processo exigia algumas manobras, e eles as faziam de modo incorreto.

O fato é que nenhum deles compreendia o funcionamento pleno do equipamento.

Estava finalmente esclarecido o motivo do problema que causara a justa reclamação do cliente.

Os membros de minha equipe me olhavam incrédulos. Eu estava ali com eles, com minhas mãos lambuzadas, minhas roupas suadas, e com uma expressão de inexplicável felicidade. Durante aquelas horas, eu não era o chefe, pois estava completamente absorvido na atividade de operação.

É também verdade, que o trabalho todo não terminou ao final daquela tarde quente de verão.

Foram vários dias de montagens e desmontagens, de testes e mais testes, e mesmo agora, após tanto tempo, eu não me lembro se o problema se resolveu definitivamente somente com as mudanças que fizemos.

Aliás, quem trabalha em áreas de produção sabe que os desafios se renovam a cada dia, então fica sempre difícil saber se foi o problema que não se resolveu, ou se foi do cliente que aumentou o grau de exigência sem qualquer aviso.

A única verdade é que o sossego não sabe onde mora a produção.

No caso dos filtros, como percebi a dificuldade dos operadores, tratei de preparar um manual de operação que, muitos anos depois de eu ter deixado aquela função, ainda o vi sendo utilizado. E isso mostrou-me a importância do papel de treinador.

Mas minha primeira grande lição daquela importante fase inicial de minha carreira foi a consciência de que para liderar a solução de um problema é necessário mergulhar na busca das suas reais causas. Em outras palavras, é necessário encarar o “bicho” de frente, e enfrentá-lo.

Evidentemente, em funções mais estratégicas, há outros modos de resolver problemas.

Um bom diagnóstico, estratégias adequadas, um planejamento com metas claras, e um monitoramento suportado com indicadores bem escolhidos. Tudo isso, com um bom processo de delegação das ações para um time que contemple uma composição ótima de competências essenciais e técnicas, talvez levemm à melhor receita para o sucesso.

Mas para os jovens líderes, pelo menos no início de suas carreiras, minha recomendação é que prefiram a vivência dos processos em detrimento do conforto de sua cadeira e de seu computador. Procurem se comunicar profundamente com suas equipes, e preferivelmente optem por escutar mais que falar.

E se houver necessidade, não hesite, arregace suas mangas, e coloque as mãos na massa.

Experimente, e depois me conte!

Workshop Visão Estratégica da Sustentabilidade

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A Seravali Consulting atuará na facilitação do Workshop Visão Estratégica da Sustentabilidade , promovido pela Fiesp/Ciesp/SESI, na Jornada da Indústria pela Sustentabilidade.

É um projeto idealizado pela Fiesp/Ciesp/SESI com o objetivo de apresentar, para gestores e especialistas do setor industrial, ferramentas de gestão para a elaboração de projetos de sustentabilidade visando a melhoria de processos e aumento da competitividade e perenidade da organização.

O facilitador será Vitor Seravalli: Engenheiro químico pela UNICAMP, foi Diretor Industrial de Tintas e Vernizes da BASF, Presidente do Comitê Brasileiro do Pacto Global (Global Compact – ONU), Diretor de Responsabilidade Social do CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e Diretor Presidente da Fundação Espaço Eco. Atualmente, ele é membro do Conselho de Administração da Fundação ABRINQ e Professor de Pós-graduação da FIA – Fundação Instituto de Administração e do Instituto Mauá de Tecnologia – IMT.

As inscrições podem ser feitas pelo site:

http://apps.fiesp.net/fiesp/newsletter/2015/cores/jornada-sustentabilidade/260515-campinas/jornada-sustentabilidade-260515-campinas.htm