O bem e o mal

Por Vitor Seravalli

Há um lado de mim que não sabe o que é a generosidade, que não perdoa e que não demonstra sequer a mínima empatia. Por isso, não o reconheço. Aliás, vou mais adiante e digo que já o neguei por inúmeras vezes. Porém, quando menos espero, vejo-me pensando, agindo e falando através dele.

Em alguns momentos, tive a certeza de tê-lo dizimado de mim. Pouco tempo depois, notei-me ainda mais arrogante, insensível e, paradoxalmente, frágil e susceptível sem ele. Fui surpreendido por minhas certezas e, por completa ausência de referências, cometi erros displicentes, típicos de pessoas que não sabem o que podem perder, e perdem.

Após tanto tempo fugindo de mim mesmo, aprendi que esse lado aparentemente negativo, contraditório e, indesejado de mim, é o contraponto que me faz usar a plenitude de meus valores para avaliar, discernir e escolher entre o certo e o errado, os quais sempre são oferecidos como opções em minha vida cheia de dúvidas.

Com isso, descobri que não sou o bom rapaz que imaginava ser. A princípio, isso me frustra um pouco, mas logo esse choque de realidades faz com que eu me sinta mais leve, mais aberto para melhorar a pessoa imperfeita e real que eu nunca quis ser, mas sou.

Há pessoas que simplesmente escolhem o lado que buscavam rejeitar. Mas, aderir ao lado negro da força, como mostra o vilão Darth Vader em STAR WARS, mostra-se a pior de todas as alternativas com o passar do tempo. E então, a melhor das saídas é mesmo aprender a conviver com o bem e o mal em uma mesma dimensão, aprendendo em cada situação a lidar com aquilo que nunca nos abandona, o dilema.

Aliás, uma das principais habilidades dos líderes plenos, que entendem a importância de seu papel na construção do desenvolvimento sustentável, é a coragem e inteligência para enfrentar dilemas. Quanto maior seu nível de responsabilidades em uma organização, muito maior será a quantidade e a complexidade desses dilemas.

Sem negar, mas tampouco polarizando em qualquer dessas duas perspectivas individuais tão antagônicas, sigo minha vida tendo sempre as opções de escolher entre o que parece ser o mais correto, mas mais difícil, e o incorreto, normalmente mais fácil. Sempre, haverá o risco do erro, mas nunca deverei priorizar a omissão em detrimento da responsabilidade.

Meus valores serão a fundamental referência ética para minhas escolhas, e o livre arbítrio será sempre o meu maior poder. Fácil, definitivamente, não é. Mas por enquanto, tudo corre bem.

E por aí? Tudo bem também?

Fonte imagem: Wikimedia Commons

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