Emoção e razão

Razao e Emoção 2

Por Vitor Seravalli

Quando observamos as pessoas em ambientes de trabalho, logo notamos que seus relacionamentos muitas vezes não diferenciam a convivência profissional e o lado pessoal de suas vidas.

Chega até a ser bem comum encontrarmos inúmeros casais que trabalham juntos, se enamoram e, posteriormente, se casam.

Da mesma forma, há milhares de colegas de trabalho que se completam como amigos inseparáveis, mesmo após o encerramento da jornada diária. Chegam a morar numa mesma casa, viajam juntos, enfim, estabelecem alianças muito mais fortes do que seria um contato estritamente profissional.

Mesmo que mudem de empresa, seus relacionamentos resistem e, não raro, ficam mais fortes, ainda que com menor convivência.

Durante minha carreira, conheci ótimos colegas que se tornaram pessoas muito caras para mim. Com alguns deles, ainda mantenho contato mesmo longo tempo após o fim do vínculo profissional. E isso é muito bom.

Por outro lado, nossa percepção muda quando olhamos para o cotidiano dessas relações, onde as pessoas não estão mais no foco da análise, mas sim as interações de trabalho entre elas, os dilemas e as discussões para solução de seus problemas.

Sob esta perspectiva, a minha experiência pessoal escancara algo que considero um de meus maiores aprendizados.

Em minha opinião, quando estamos falando de questões de trabalho, a razão não deve conviver com a emoção. Aliás, não me lembro de uma única vez em toda a minha vida em que decisões profissionais influenciadas por fortes emoções prevaleceram sem deixar sequelas ou marcas negativas.

Lembro-me de algumas situações em que presenciei ótimos profissionais jogarem seu emprego fora, graças ao desequilíbrio proporcionado por um momento de fúria. Deveriam ter contado até dez, mas pularam esta etapa.

Outras vezes, uma inexplicável insegurança, ou mesmo uma indesejável ansiedade, percebidas como descontrole pessoal, puseram tudo a perder em situações onde sobravam competências técnicas.

Uma necessária demissão que tenha sido evitada por sentimentos de compaixão, ou mesmo aqueles profissionais que se sobrecarregam e erram por não conseguirem dizer “não”, somente para não magoarem seus superiores ou mesmo pares, ou seja, estes são apenas alguns exemplos que deveriam nos fazer pensar e agir do modo mais racional possível, pelo menos enquanto estivermos no exercício profissional, para o bem de todos.

Isto não significa que as pessoas tenham que ser frias como pedra. Pelo contrário, empatia e sensibilidade em dose certa são fatores de sucesso dos líderes e suas equipes bem-sucedidas e de alta performance.

Prova disso é que ambientes de trabalho com clima organizacional em harmonia são, geralmente, são liderados por pessoas, cujos comportamentos são baseados em respeito e maior valor humano, e suas atitudes, escolhas e decisões ocorrem com pleno uso da inteligência emocional.

No final das contas, precisamos tanto da razão quanto da emoção. Sem emoção, nossa vida não tem a menor graça e sem a razão, ela não consegue o mínimo equilíbrio.

No trabalho, a razão nos dá o bom senso, um certo controle e, ainda, um necessário nível de previsibilidade. E, com eles, alcançamos os resultados para comemorarmos depois, com muita emoção.

Voltar ao blog