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Resiliência

resiliência2Por Vitor Seravalli

Não foi uma surpresa quando vi pela primeira vez, num livro sobre competências comportamentais, um termo normalmente utilizado nas aulas de física para descrever uma propriedade específica dos materiais: a resiliência.

E se a competência de ser resiliente tornou-se praticamente obrigatória para todos os profissionais que atuam principalmente em funções de liderança, o motivo é óbvio. Não há como resistir aos impactos gerados pelas crises em todos os níveis nos dias de hoje sendo simplesmente competente num contexto técnico.

Mais adiante, escutei um especialista em desenvolvimento de pessoas definir resiliência em um profissional como a sua capacidade voltar a ficar de pé rapidamente após um tombo.

E como tomamos tombos corporativos nos dias de hoje, não é mesmo?

Para os despreparados, esses tombos costumam se caracterizar como grandes surpresas, mas outras vezes são como bombas-relógio, cujos ponteiros temos a possibilidade de acompanhar passivamente por muito tempo, até que a explosão ocorra.

De qualquer forma, não são todos os que conseguem prosseguir sem sequelas.

Sabendo de tudo isso, as áreas de recrutamento e seleção da maioria das organizações empresariais já utilizam sofisticados e específicos testes para avaliarem se os profissionais que se candidatam a uma eventual vaga disponível são ou não resilientes.

Contudo, os grandes exemplos somente se materializam na vida real, ou seja, quando levamos o golpe e tentamos nos levantar do chão, com a contagem já iniciada, tal qual numa luta de boxe.

Olho para minhas vivências profissionais e não tenho nenhuma dificuldade para me lembrar dos diversos tombos que tomei. E não sinto qualquer constrangimento em falar sobre isso, pois cada um deles deu-me a contrapartida do aprendizado.

Se evoluí como profissional e como líder, devo uma boa parcela disso aos momentos em que tentei me recuperar de alguma crise ou de algum impacto negativo inesperado que tenha me levado ao chão.

Após tanto tempo, constato que consegui me levantar de todos eles, mas confesso que as cicatrizes causadas por alguns ainda estão comigo. São pequenos troféus que simbolizam os desafios que se seguiram e foram vencidos um a um.

E para sair um pouco do campo abstrato de minhas reflexões, vem à minha mente uma manhã em que fui chamado à sala de meu chefe e, enquanto caminhava para lá, já sabia que o assunto não seria açucarado. Estávamos nos recuperando de um período de má performance, e uma avaliação externa mostrara que não íamos mesmo nada bem.

Quando entrei, ele já foi direto ao ponto. Eu ainda não seria demitido, mas uma de minhas principais atividades teria responsabilidade transferida para um colega de outra unidade por tempo indeterminado. Em seguida, com certa irritação, perguntou-me o que eu tinha a dizer sobre aquela decisão.

Fiquei em silêncio por alguns segundos e, da melhor forma que pude, disse que me sentia frustrado com aquela situação, pois havíamos feito o melhor possível, porém infelizmente os nossos resultados eram mesmo medíocres.

Arrumei-me na cadeira, ergui meu rosto, respirei fundo e continuei.

Por outro lado, deixei clara minha satisfação por estar em uma organização que sabia tomar decisões quando necessário, e reafirmei meu compromisso em apoiar meu colega no necessário processo de melhoria que viria a seguir.

E isso aconteceu com plenitude. Nossa equipe virou o jogo, e meses depois fomos todos reconhecidos pelo sucesso após uma nova e dura reavaliação.

Nunca mais fui o mesmo. Mas esse aprendizado iluminou ainda mais o caminho que pude percorrer nos períodos que vieram posteriormente.

E finalmente percebi a importância da resiliência, algo que somente podemos reconhecer de verdade quando, surpreendentemente, voltamos a ficar de pé.

Atitudes sustentáveis

banho sustentável 1

Por Vitor Seravalli

Professor! Gostaria de fazer um comentário.

Estranhei aquela solicitação logo no início da aula. Mas, como os cursos de pós-graduação precisam da participação ativa dos alunos, dei toda a atenção ao rapaz que queria contar algo sobre a aula anterior.

_ Em sua última aula, houve um momento em que foi mostrado um certo “slide”, e você fez questão de frisar que ele era o mais importante de todo o curso. Olhou para nós e, inclusive, disse que era algo com grande chance de estar na avaliação final.

Todos prestavam a atenção, e ele continuou.

_ Era o “slide” que definia o “Desenvolvimento Sustentável”, e me lembro bem que dizia: “Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”.

Falou com tanta propriedade que seus colegas o aplaudiram.

_ Muito bem – disse eu – mas e então?

_ Pois é Professor, eu sempre imaginei que sustentabilidade fosse abraçar árvores, e de repente compreendi que era algo muito mais amplo, e relacionado com a atitude tanto das organizações quanto de nós mesmos como cidadãos.

A essa altura, seus colegas já pensavam em elegê-lo como o líder da turma, e brinquei que sua bela contribuição não o isentaria da avaliação ao final do curso.

Ele sorriu, mas seguiu com sua história.

_ Bom, mas ao final da aula, eu fui para casa, e no caminho continuava a pensar no que eu deveria fazer como indivíduo para ser sustentável. Quando cheguei, conversei com minha esposa, que também havia chegado da escola como eu, e ela gostou de discutir um pouco sobre esse assunto. Falamos de nossos filhos, e o quanto seria importante ensiná-los sobre a sustentabilidade. Depois disso, fui tomar um banho antes de dormir, e acredite Professor, eu continuei a pensar no assunto.

Fez uma “cara de conteúdo”, mas eu não pude deixar de fazer uma consulta a ele.

_ Tenho uma pergunta: enquanto você pensava na sustentabilidade, a válvula da água estava aberta ou fechada?

Os outros alunos caíram na gargalhada, e ele mudou sua expressão mas admitiu o óbvio:

_ É, a água estava aberta.

Embora fosse somente um comentário com fins didáticos, eu disse a ele que podia interromper sua história ali mesmo, e que ao final da aula me procurasse para que pudéssemos agendar uma aula de reposição, pois definitivamente, ele não havia aprendido bem a lição da aula anterior.

Todos sorriram concordando comigo, inclusive o meu importantíssimo aluno.

Sim, um aluno importantíssimo, pois sua história continua sendo contada por mim em praticamente todas as aulas e palestras que tive após aquela noite.

Evidentemente, o agradeci ao final daquela intervenção, e ele certamente mudou sua atitude a partir de então.

Ensinar os fundamentos da sustentabilidade é muito mais que um privilégio, é uma missão.

Mas ainda mais importante do que apresentar os fundamentos e conceitos de algo tão complexo e tão simples ao mesmo tempo, é certamente ensinar pelo próprio exemplo.

E nesse caminho, eu confesso ter ainda muito a percorrer.

Mas se muitos outros estiverem comigo, tenho certeza que chegarei mais longe.

Vamos nessa?

A busca de uma carreira sustentável

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Tem sido comum a entrada de um tipo peculiar de mensagem em minha caixa postal. São e-mails vindos de profissionais de todas as idades, buscando esclarecimentos e orientações sobre suas opções de carreira.

Às vezes, uma movimentação para uma nova área de atuação, uma abordagem distinta da mesma área. Em outras, os eventuais riscos de uma mudança de empresa, dicas sobre um curso específico, opções entre as diversas escolas do mercado. Enfim, muita gente tem urgência em descobrir o melhor caminho para construção de um futuro profissional mais sustentável.

Nesses casos, talvez a pergunta básica seja traduzida pela busca do caminho das pedras para a maximização entre as dimensões: competitividade, retorno financeiro, ambiente organizacional e autorrealização.

E, como dar uma resposta honesta, viável e que agregue algum valor? Quem sabe, não seja melhor começar com algumas perguntas provocativas, ao invés de simplesmente respondê-las?

A primeira delas seria: já existe uma visão de médio ou longo prazo? Será que meu interlocutor consegue projetar-se e visualizar sua própria imagem daqui a cinco anos? Se, cinco é muito longe, daqui a dois anos? Trata-se de um exercício básico, pois a direção a seguir dependerá dessa capacidade.

Para os que não conseguem, é melhor parar, refletir um pouco sobre o presente, buscar compreender melhor suas características, competências, e pontos a melhorar. Avaliar onde suas habilidades são seguidas de resultados, e em que áreas de atuação há reconhecimento dos mesmos por terceiros. Afinal, competência é um conhecimento que se transformou em habilidade, e que teve atitude para se transformar num comportamento reconhecido e observado.

Aqueles que conseguem identificar suas próprias virtudes e suas competências, já andaram a metade do caminho. E então, o exercício da visão pode ser retomado.
Tente ver a própria imagem fazendo aquilo que sua visão projeta. Suas roupas, seus movimentos, seus instrumentos, sua logística, e como é visto pelos outros. Quando essa imagem estiver bem clara em sua mente, é hora de apertar o botão e registrar essa fotografia instantânea. Com ela em mente, poderá ser iniciado um longo e consistente projeto, com todas as suas fases, que certamente o transformará naquilo que você quer ser no futuro.

Vamos apostar nisso?

 

A construção de uma carreira de sucesso

 

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Embora todos busquem o desenvolvimento de uma carreira profissional de sucesso, é fácil perceber que não se trata de um processo simples e sempre bem sucedido.

Um primeiro passo nessa direção seria um bom projeto pessoal, com metas, estratégias, um plano de ação viável, e principalmente, com autodisciplina para sua implementação. Mas, aqui entre nós, é muito difícil encontrar jovens, ou mesmo profissionais atuantes no mercado, que já tenham consciência deste pré-requisito para o sucesso.

Certamente, há exceções. Pessoas com competências empreendedoras natas podem alcançar o sucesso sem muito planejamento. E, também, podemos identificar profissionais bem sucedidos, que foram privilegiados pelo suporte de padrinhos com grande poder de influência, e que souberam aproveitar o empurrãozinho.

Mas o fato é que o mercado está cheio de profissionais que navegam com suas carreiras por mares por onde não passam os ventos da autorrealização. São pessoas que são subutilizadas em empregos seguros, mas sem desafios e sem perspectivas.

Por outro lado, há o grupo formado por profissionais que rapidamente conquistam posições com maior nível de responsabilidades em grandes organizações, mas não tem o perfil de competências necessário para alcançar os resultados esperados. Assim, não é rara a situação em que um profissional recém-promovido, frustra as expectativas, e perde seu emprego por incompetência.

Isto não faz qualquer sentido, mas acontece com frequência.

O que fazer então?

Como o resultado em qualquer dos casos gera desperdício de recursos e dinheiro das empresas, estas estão sempre testando novas estratégias de seleção, desenvolvimento e retenção de talentos.

Mas, se priorizarmos o poder de influência dos próprios profissionais, há uma boa possibilidade, uma luz no fim do túnel, e ela se chama Coaching.

Uma opção é o Coaching de Carreira, uma metodologia para identificação e orientação dos melhores rumos a serem tomados pelos profissionais em suas carreiras.

E outra alternativa é o Coaching Executivo, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento de competências de liderança.

A boa notícia para os executivos, técnicos, ou mesmo estudantes, que se identificam com os dilemas citados no início deste artigo, é a existência de boas opções para o desenvolvimento de processos de Coaching. Pelo menos avaliar, já uma opção.

A única opção a ser desconsiderada é a passividade, e a falta de atitude em relação ao futuro, e à própria carreira.

 

Por: Vitor Seravalli

 

Visão Estratégica para a Sustentabilidade

Visão Estratégica para a Sustentabilidade
Por Vitor Seravalli

Há algum tempo, fui convidado para fazer a abertura de um evento sobre sustentabilidade empresarial, e minha missão seria desenvolver um posicionamento sobre o impacto das crises econômicas nos investimentos em iniciativas relacionadas com sustentabilidade.

Estávamos todos vivendo uma crise econômica global, que após diversos meses ainda fazia estragos. E a grande prioridade da maioria das empresas se resumia à sua própria sobrevivência.
Quando refleti sobre qual seria a abordagem, obviamente, o primeiro impulso foi contar o meu caso. Sim, minha empresa também sentia os reflexos da tal crise, e isso ficava latente quando eu contatava potenciais clientes sobre novas propostas de projetos.

As primeiras palavras eram sempre muito simpáticas, valorizando os aspectos e as propostas em si. Porém, o final da conversa não levava a nada de concreto. O projeto permaneceria na lista de ações futuras da empresa, mas o momento materializava uma crise, e embora o tema fosse sustentabilidade, havia outra sustentabilidade mais urgente naquele momento.

Iniciativas de sustentabilidade seriam sempre muito desejáveis e bem-vindas, mas a situação crítica daquela fase exigia foco no curto prazo, para o próprio bem do longo prazo.
Embora o exemplo fosse bem real, eu sabia que somente esta evidência seria insuficiente para ilustrar minha apresentação. Um posicionamento público necessitaria, logicamente, de mais dados.
E, após uma profunda pesquisa, foram localizadas algumas informações muito importantes, tanto no âmbito nacional como internacional.

Matérias publicadas pelas revistas Exame e The Economist, e estudos de organizações como Instituto IBM e Deloitte, esclareceram fatos que até então, apesar de bastante óbvios, nunca haviam sido tão evidenciados.

Os estudos possuíam formas específicas de abordagem, com muito mais detalhes do que eu buscava compreender, porém uma informação compunha um posicionamento comum. E isso contribuiu para o esclarecimento de algo que, talvez ainda hoje, não seja compreendido adequadamente por um número considerável de empresários.

Sumariamente, os estudos mostravam que, para um grupo importante de empresas, mesmo em tempos de crise, os investimentos em iniciativas que abordam algum tema relacionado com o que conhecemos por sustentabilidade, não diminuem.

Evidentemente, refiro-me às empresas que incluem formalmente a sustentabilidade em suas estratégias de negócios.

Aliás, estas são as empresas que, atualmente, se diferenciam em seus mercados de atuação e que, em boa parte dos casos, os lideram.
E mais surpreendente ainda é perceber que justamente durante as crises, essas organizações investem mais do que o habitual em sustentabilidade.

E por que elas agem assim?

Querem se diferenciar de seus concorrentes, querem ingressar em mercados novos que exigem rígidos requisitos de sustentabilidade, querem buscar soluções que reduzam seus custos, querem mostrar a seus acionistas uma perspectiva de perenidade, e que estarão presentes no futuro, mesmo que este se mostre incerto para a maioria das organizações. Enfim, estas empresas já entenderam que sua sustentabilidade depende de uma competência valiosa e essencial.

O tempo passou, e as crises persistem.

Mas, cada vez mais, torna-se um diferencial competitivo a incorporação desta competência que integra: visão sistêmica, forte comportamento inovador, resiliência, além de alta capacidade de adaptação às mudanças, a uma genuína preocupação com a sociedade e à preservação do planeta.
Uma competência que já é identificada como a visão estratégica para a sustentabilidade.

O Brasil segue um caminho de mobilidade?

O Brasil segue um caminho de mobilidade?

Por Vitor Gonçalo Seravalli

Recentes dados publicados pelo IBGE apresentam uma tendência importante em relação à população do Brasil. Embora o número de habitantes no país continue crescendo, e já tenha ultrapassado a barreira dos 200 milhões, há uma redução concreta nessa taxa de crescimento, e que a partir de 2042 se reverterá numa redução de nossa população.

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