3a. Maratona – XI Maratona de São Paulo – 17 de abril de 2005

Apesar de fazer uma preparação bastante diversificada, correr pela segunda vez a maratona de São Paulo trazia o objetivo principal da continuidade. Eu já corria há quase 3 anos e havia decidido que as corridas de rua seriam o meu esporte definitivo.

O percurso dessa corrida nunca foi fácil, mas essa edição da prova teve a inesperada vantagem de ter ocorrido a uma temperatura não muito alta. Correr sua primeira metade nunca foi algo tão difícil, porém a segunda parte, que incluía um trecho dentro e ao redor da USP – Universidade de São Paulo, sempre trouxe e continuou trazendo muito desgaste e dificuldades no decorrer dos anos, principalmente quando o calor foi intenso.

Por esse motivo, a partir dessa maratona, pedi ajuda. Do 21º quilômetro até o 31º, minha filha Fernanda me acompanhou. E do 31º ao 42º, a outra filha Cecilia, tratou de me puxar para que eu conseguisse finalizar o percurso. Como poderão ver em futuros relatos, essa estratégia passou a ser utilizada com frequência e sempre com bastante sucesso.

Algo similar ocorreu em minha vida profissional quando, numa certa tarde, um documento literalmente aterrissou sobre minha mesa.

Era uma simples sugestão enviada por um funcionário e que integrava um programa de melhoria contínua, na época, bastante disseminado e popular na empresa BASF, onde eu trabalhava.

Falar sobre os desdobramentos dessa ideia seria suficiente para um livro exclusivo, tamanha era a dimensão e a complexidade dos desafios que ela trazia. Obviamente, estou falando de desafios de alto nível, daqueles que sempre gostei de ter, mas enfim, eu nunca poderia vencê-los se não houvesse uma mobilização especial para eles.

Sob minha perspectiva, meu grande mérito nessa história toda foi acreditar na ideia em todos os momentos, desde o princípio até o momento em que um projeto realmente inovador, com características que o tornaram referência em sua forma e área de atuação, se transformou em realidade.

Porém, sua realização teve profissionais protagonistas de primeira qualidade. Em diversos momentos, percebi que minha melhor contribuição se resumia em tentar não atrapalhar. Felizmente, creio que consegui fazer isto também.

Lembro-me dos que cuidaram com carinho do projeto quando ele ainda não possuía estrutura alguma. Sua perseverança, ou mesmo esperança, beirava o cúmulo do otimismo. Impossível também me esquecer daqueles que me trouxeram inúmeras ótimas ideias e que ajudaram a formar aqueles estudos iniciais em um empreendimento que possuía potencial passível de concretização, apesar dos diversos obstáculos que enfrentou.

E quando a coisa cresceu para além das fronteiras regionais e passou a ser desenvolvido com a ambição de conquistar parcerias de repercussão global, eu não poderia encontrar um aliado tão talentoso quanto visionário como tive a sorte de poder contar na sede global da empresa.

Devo admitir que nunca, em nenhum momento, tive facilidade para liderar o enfrentamento de todas as barreiras que foram surgindo etapa a etapa.

Enfrentamos céticos, pessimistas, lideranças oposicionistas sem qualquer argumento que justificasse seus posicionamentos, incrédulos e até mesmo invejosos sem causa, mas não me recordo de um só momento em que passou pela cabeça desistirmos de nosso sonho.

E, quando chegou o momento da concretização, ou seja, quando eu precisava de alguém que colocasse em operação aquela bela instituição que estava prestes a nascer, mais uma vez tive o suporte da pessoa certa e na hora certa.

Em resumo, com a ajuda e o suporte de pessoas muito especiais, assim como em minhas maratonas, somente precisaríamos continuar em frente até a linha da chegada.

É certo que a comparação termina por aqui, até porque quando instituímos uma organização da dimensão da Fundação Espaço Eco, que integra uma empresa global líder de mercado como é a BASF, uma simplista analogia com uma maratona não faz o menor sentido. Talvez, um parto complicado para o nascimento de uma criança forte e saudável pudesse ser uma melhor comparação.

Mas, independentemente disso, agradecer a ajuda de minhas filhas nas maratonas, assim como às pessoas criativas, competentes, resilientes e inovadoras que estiveram comigo, sem me esquecer das lideranças que acreditaram naquele maravilhoso projeto, isso sim, é adequado e completamente justo.

Que esse singelo agradecimento seja o prenúncio para muitas outras maratonas, e também represente o desejo para uma vida longa e próspera à Fundação Espaço Eco.

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