Arquivos do mês: outubro 2016

Um pouco sobre virtudes e talentos

Virtudes e talentos 1

Por Vitor Seravalli

Nem me lembro por quantas vezes tentei encontrar um artigo que li anos atrás sobre a importância das virtudes e dos talentos em nossas vidas.

Sem dúvida, este é um tema recorrente e fundamental para todos nós, seja na vida pessoal ou em nossas carreiras, mas aquele texto específico apresentava uma provocação evidenciada por fortes exemplos, a qual nunca me esqueci.

Assim, começo pedindo desculpas ao autor pela indelicadeza de sequer me lembrar seu nome, mas gostaria que soubesse o quanto me influenciou.

O texto afirmava que, se uma pessoa tiver algum talento ou virtude, que lhe dê condições de realizar alguma coisa melhor do que dez mil pessoas, poderá ficar milionário por causa disso.

Dez mil pessoas é muita gente, não é mesmo? Talvez nem tanto.

E nos parágrafos seguintes, se referia ao tanto de energia, tempo e dinheiro que investimos em nossas fraquezas, obviamente para eliminá-las ou transformá-las.

Tudo isso para o autor do artigo era um enorme desperdício, ou seja, todo e qualquer esforço de desenvolvimento deveria estar focado nos nossos talentos, justamente naquilo em que já somos bons. E para que? Para sermos muito melhores.

Ele citava dois exemplos de pessoas famosas. O primeiro deles era o jogador de golfe Tiger Woods.

Numa determinada época, seu exigente técnico forçava os treinamentos para corrigir suas tacadas ruins. Porém, o resultado de tanto esforço mostrava que, além de não melhorá-las em nada, ainda piorava as tacadas naturalmente ótimas. Pior que isso, Tiger não vencia os torneios em que participava.

Até que em algum momento, a estratégia foi mudada radicalmente e passou a intensificar e diversificar os treinamentos justamente das suas melhores tacadas.

Mas, por que seu técnico investiria onde ele já era bom? Não me pergunte, pois minha singela capacidade lógica também não tinha a menor ideia até então. Porém, Tiger começou a ganhar tudo o que disputava e o resto da história já está bem documentada nos livros sobre este sofisticado esporte.

O outro exemplo era sobre o maior jogador de basquetebol de todos os tempos, Michael Jordan. Com ele se passou o mesmo e sua descoberta como um fenômeno do esporte aconteceu quando seu técnico também priorizava treinos em fundamentos nos quais Michael Jordan já era absurdamente bom.

Esta prioridade em relação aos nossos pontos fortes em detrimento dos fracos não significa que possamos nos dar ao luxo de ser péssimos em alguma coisa. Isso não faria sentido. Por exemplo, o candidato a uma vaga numa instituição importante nunca poderia obter uma única nota zero em um exame multidisciplinar, pois mesmo que tirasse várias notas dez em todas as outras disciplinas, ele seria reprovado.

O problema é que, normalmente, não nos conformamos com nossos pontos fracos e nos esforçamos demais para, na melhor das hipóteses, nos tornarmos medíocres naquilo que infelizmente não temos o talento necessário e suficiente para algum destaque diferencial.

Assim sendo, somente uma escolha é certa: jogar todas as fichas em nossos talentos.

Todavia, o desafio deste argumento reside numa questão crucial e de alta relevância: Como identificar nossos talentos? Afinal, já ouvimos tantas pessoas afirmarem que, simplesmente, não sabem fazer nada que seja especial ou brilhante.

Talvez estejamos prestando muita atenção nos outros e nos esqueçamos de olhar com alguma prioridade para nós mesmos, sem excessos de narcisismo, mas com um olhar positivamente crítico.

Ou ainda, sejamos tímidos e medrosos demais para perguntar às pessoas próximas, que sejam minimamente sinceras, se algo bom lhes chama à atenção em relação às nossas atitudes e nossos comportamentos.

Parece tolice, mas talvez esta seja a forma mais simples para descobrirmos um possível talento que já exista em nós e, incrivelmente, nós não saibamos.

Se a boa sorte estiver do nosso lado e algo valioso puder ser descoberto, então o próximo passo será lapidarmos este diamante bruto.

O caminho terá apenas começado, mas não imagino uma melhor alternativa de planejamento pessoal do que esboçar um projeto de carreira baseado naquilo que temos de melhor, não é mesmo?

E por falar em virtudes e talentos, você já identificou os seus?