Arquivos do mês: junho 2016

Coaching Executivo

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Ética, substantivo feminino

Ética 1Por Vitor Seravalli

Conheço inúmeras definições sobre ética. Porém, foi num texto perdido de uma revista qualquer, que encontrei aquela que se mostrou para mim a mais genuína e, ao mesmo tempo, singela definição. Uma pequena história mostrava o diálogo entre um adulto e uma criança e, a certa altura, o homem perguntou ao pequeno garoto:

— Filho, para você, o que é ética?

O menino ficou sério, olhou para algum lugar distante, pensou por um segundo e respondeu com surpreendente naturalidade:

— Ética é quando minha mãe sai para trabalhar, eu estou sozinho em casa e ninguém está vendo o que eu estou fazendo. Eu posso fazer a coisa mais errada que me vier à cabeça e ninguém nunca saberá. Mas, não sei por qual motivo, eu simplesmente não a faço.

Li aquilo e até pensei em criticar, pois a tal criança falava como um adulto e, mais que isso, não se tratava de qualquer adulto, pois a resposta era valiosa demais e sua espontaneidade evidenciava uma base formada por uma dose generosa de bons valores e princípios.

Em uma outra oportunidade, ouvi um líder empresarial bastante conhecido explicar que, para ele, se algum líder não puder comentar em sua casa à noite sobre algo que fez durante o dia na empresa, é bem provável que esse algo não tenha sido ético.

Felizmente, as organizações em geral já estão percebendo que, se não cuidarem de uma gestão adequada da ética em seus processos e em seus relacionamentos, não terão sustentabilidade.

Algumas trazem estes valores desde sua origem e cuidam deles como uma joia preciosa. Outras estão sendo obrigadas a se reinventar em busca de sua própria sobrevivência. De qualquer forma, o desconforto trazido pela corrupção escancarada é uma evidência cristalina de que já não é mais possível garantir a impunidade em um eventual deslize ético de quem quer que seja. Esta é, certamente, uma ótima notícia.

O surgimento de legislações específicas, a surpreendente solidez das instituições jurídicas, os sistemas cada vez mais sofisticados e até mesmo o lento despertar da consciência de uma sociedade, até então anestesiada pela cultura da corrupção, são instrumentos que ganham notoriedade na medida em que as máscaras são retiradas uma a uma.

Nesse contexto, já é possível visualizar um cenário futuro onde os ambientes e processos institucionais terão maior transparência e estarão protegidos por modelos de gestão que tenham compromissos com as gerações futuras.

Mas em relação ao presente, como podemos ter certeza que nossas escolhas e nossas atitudes sejam referências éticas, independentemente da situação complicada que estejamos vivendo, ou do implacável controle que os sistemas nos submetam?

A resposta para esta difícil pergunta não está em outro lugar senão dentro de cada um de nós. E, parafraseando Pablo Neruda, se somos donos de nossas escolhas, mas prisioneiros das consequências, uma sensação perene de liberdade será o sinal inequívoco de que a ética nos faz companhia, mesmo que ainda não saibamos defini-la tão bem quanto poderíamos.