Arquivos do mês: outubro 2015

Por uma causa

Voluntário2Por Vitor Seravalli

Infelizmente, ainda não sou o voluntário que gostaria de ser.
E quando observo tantas pessoas, principalmente de algumas culturas específicas, presenteando espontaneamente o seu tempo, ou até uma parte de si mesmas, em prol de alguém ou de alguma causa, justamente nesses momentos, eu constato o longo caminho que tenho pela frente para ser uma pessoa mais plena.
Não levo isso com culpa, pois também não me considero uma pessoa assim tão insensível. Na medida do possível, em tudo o que faço, busco a plenitude simplesmente porque amo meu trabalho. E neste amor, está uma generosa dose de dedicação para ajudar as pessoas em todos os sentidos, mesmo que isso ocorra enquanto exerço a minha profissão, e não como uma doação pessoal.
Porém, com tantas necessidades neste mundo repleto de desigualdades, eu trato de desafiar constantemente a minha própria personalidade a repensar tudo aquilo que ainda não faço. E, francamente, espero mudar minha atitude o quanto antes.
Se estou falando com empresários sobre o papel dos negócios em relação à sociedade, costumo usar uma das melhores definições que conheço sobre o assunto. Ou seja, responsabilidade social empresarial nada mais é que uma forma de conduzir negócios. Aliás, uma forma muito especial. Nela, a empresa vende seus produtos e serviços, ganha participação no mercado, cresce, se desenvolve, inova, lança novas soluções para os seus clientes e consumidores, reduz custos, alcança a excelência, valoriza sua marca, e finalmente, vale mais. O diferencial está no compromisso genuíno da organização com a sua corresponsabilidade em relação ao desenvolvimento da sociedade e à preservação do planeta.
Contudo, quando penso nos cidadãos comuns, e no que eles deveriam fazer quando não estivessem com um sobrenome corporativo, aí a coisa pega.
Falei em culturas logo ao início, e não há dúvidas que algumas já possuem este dom desde sempre.
Em outras, e numa delas eu estou inserido, nem sempre há tempo ou recursos disponíveis para doar, e falta a atitude para se entregar.
De qualquer forma, não vejo isso como um defeito, e sim como uma característica cultural deveras indesejável.
Um dia desses, uma pessoa amiga disse-me que eu não deveria pensar dessa forma, pois meu trabalho, segundo ela, já trazia o valor de uma atitude voluntária. Fiquei feliz momentaneamente, até descobrir que ela mesma era uma voluntária exemplar, e simplesmente ajudava por ajudar.
No final das contas, confesso que talvez eu esteja escrevendo este texto para mim mesmo, pois acredito muito na força do exemplo e, nesse caso, não estou sendo exemplo de coisa alguma.
E o maior paradoxo é constatar que o investimento em uma ação espontânea para ajudar o próximo parece trazer mais ganhos aos que a fazem do que aos que a recebem. Isso mesmo, a sensação após qualquer intervenção é o ganho da mais pura energia positiva.
Aos incrédulos resta somente perguntar aos primeiros.
E, por fim, a recomendação é simplesmente partir para ação, e a ótima notícia é que ela não depende de ninguém, mas somente de cada um de nós.